PodUé
Copo Stanley Quencher rosa decorado com laços e chaveiros, pendurado por uma alça de crochê

Stanley Quencher: o copo que multiplicou a marca por 10

Em 2019 a Stanley parou de repor um copo que não vendia. Quatro anos depois, esse copo ajudou a marca a faturar dez vezes mais. A virada veio de fora da empresa.

Slide 1 de 8 do carrossel: Stanley Quencher: o copo que multiplicou a marca por 10Slide 2 de 8 do carrossel: Stanley Quencher: o copo que multiplicou a marca por 10Slide 3 de 8 do carrossel: Stanley Quencher: o copo que multiplicou a marca por 10Slide 4 de 8 do carrossel: Stanley Quencher: o copo que multiplicou a marca por 10Slide 5 de 8 do carrossel: Stanley Quencher: o copo que multiplicou a marca por 10Slide 6 de 8 do carrossel: Stanley Quencher: o copo que multiplicou a marca por 10Slide 7 de 8 do carrossel: Stanley Quencher: o copo que multiplicou a marca por 10Slide 8 de 8 do carrossel: Stanley Quencher: o copo que multiplicou a marca por 10
Arraste para ver os 8 slides. Este conteúdo saiu primeiro no Instagram do PodUé; aqui embaixo está a versão completa, com as fontes.

Uma garrafa de 1913

A Stanley nasceu de uma invenção: em 1913, William Stanley Jr. patenteou a primeira garrafa térmica toda de aço. Durante mais de um século, a marca foi sinônimo de acampamento, obra e pescaria. Garrafa verde, pesada, feita para aguentar tombo. Resistente, mas longe de ser objeto de desejo.

É por isso que a história do Quencher é tão curiosa: o produto que transformou a Stanley em fenômeno quase foi aposentado pela própria empresa.

O copo que não vendia

Em 2016 a Stanley lançou o Quencher, um copo de 40 onças (cerca de 1,18 litro) com alça, tampa e canudo. A ideia era simples: um copo grande para o dia a dia, que coubesse no porta-copos do carro. Não pegou. O público fiel da marca queria garrafa para o mato, não copo para o escritório.

Em 2019, segundo a CNBC, a Stanley tinha parado de repor e de divulgar o produto. Na prática, o Quencher estava a caminho de sair de linha.

Quem salvou o Quencher

A virada veio de fora. Três amigas de Utah tocavam um blog de compras, o The Buy Guide. Uma delas, Ashlee LeSueur, comprou o primeiro Quencher em 2017 e passou a recomendar para as seguidoras. Quando a Stanley parou de repor, elas insistiram com a marca e fecharam um pedido de 5.000 copos no atacado para vender direto ao público. Esgotou.

Para a Stanley, foi a prova de que existia um público que a empresa não enxergava: mulheres que queriam um copo bonito, grande e que segurasse o gelo o dia inteiro.

O executivo que veio da Crocs

Em 2020, a Stanley contratou Terence Reilly como presidente. Ele vinha de sete anos na Crocs, onde ajudou a transformar o tamanco de borracha em moda. Com o Quencher, repetiu a receita:

  • Tratou as criadoras de conteúdo como parceiras, não como revendedoras.
  • Lançou cores novas em edições limitadas, criando fila e colecionador.
  • Fez parcerias com varejistas e marcas grandes, como Target e Starbucks.

O resultado virou notícia: lojas limitando a compra a dois copos por cliente e uma edição da Starbucks revendida por centenas de dólares no mesmo dia do lançamento.

Os números: dez vezes mais em quatro anos

Segundo a CNBC, o faturamento anual da Stanley foi de cerca de US$ 73 milhões em 2019 para US$ 94 milhões em 2020, US$ 194 milhões em 2021, US$ 402 milhões em 2022 e uma estimativa de US$ 750 milhões em 2023. Já em 2020, o Quencher passou a garrafa clássica e virou o produto mais vendido da marca.

O carro que pegou fogo

Em novembro de 2023, uma cliente postou no TikTok o carro destruído por um incêndio. No meio das cinzas, o copo Stanley estava inteiro, e ainda com gelo dentro. O vídeo viralizou. O presidente da Stanley respondeu com outro vídeo: disse que a marca nunca tinha feito aquilo e que provavelmente não faria de novo, mas que ia substituir o carro dela. E substituiu.

Foi publicidade que nenhuma campanha paga compraria: uma prova real do produto, contada por uma cliente, com a marca respondendo em tom de conversa.

Nem tudo é hype

A história tem outro lado. Em 2024, clientes questionaram o uso de chumbo na vedação do fundo dos copos; a Stanley afirmou que a peça fica coberta por aço inox e não entra em contato com o usuário. Em dezembro de 2024, a marca fez recall de cerca de 2,4 milhões de canecas por tampas que podiam se soltar, com relatos de queimaduras.

A lição para quem compra: marca forte não dispensa olhar o produto. Para quem vende: o Quencher não mudou entre 2016 e 2023. Mudou quem a marca escolheu ouvir.

E se você quiser um?

O Quencher original continua à venda no Brasil. Se o que você quer é só manter a bebida gelada, existem garrafas e copos térmicos mais baratos que cumprem a função; se quer o copo da história, este é o modelo:

Perguntas frequentes

Quando foi lançado o Stanley Quencher?

Em 2016. As vendas foram fracas no começo e, em 2019, a Stanley parou de repor e de divulgar o copo, segundo a CNBC.

Quanto a Stanley passou a faturar com o Quencher?

De cerca de US$ 73 milhões em 2019 para uma estimativa de US$ 750 milhões em 2023, com o Quencher como principal produto, segundo a CNBC.

O copo Stanley sobreviveu mesmo a um incêndio de carro?

Sim. Em novembro de 2023, um vídeo no TikTok mostrou um carro queimado com o copo inteiro e ainda com gelo. O presidente da Stanley respondeu em vídeo e a marca deu um carro novo à dona.

Vale a pena pagar caro num Stanley?

Depende do que você quer. O isolamento é bom, mas parte do preço é pela marca. Se o objetivo é só manter a bebida gelada, há garrafas térmicas mais baratas que cumprem a função.

Fontes consultadas

  1. How a 40-ounce cup turned Stanley into a $750 million a year business CNBC
  2. Woman's Stanley tumbler survived a car fire, now the company is giving her a new ride ABC7 Los Angeles
  3. A Stanley cup survived a car fire and went viral. Then the brand gave the owner a new vehicle Campaign US
  4. Stanley (drinkware company) Wikipedia

Transparência: alguns links deste artigo são de afiliado. Se você comprar por eles, o PodUé recebe uma pequena comissão, sem custo extra para você. Isso não muda a nossa opinião sobre o produto. Saiba mais.